Artigos de vestuário terão aumento de 10% após reajuste na conta de luz, estima sindicato no Ceará


O Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas no Estado do Ceará (Sindconfecções) projeta aumento nos preços dos produtos de vestuários, entre roupas e calçados, na casa dos 10% ao consumidor final. Alta ocorrerá em decorrência do reajuste na conta de luz dos consumidores cearenses aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e implementado pela distribuidora de energia do Estado, Enel, nesta sexta-feira, 22 de abril, gerando uma reação em cadeia. 

Em entrevista exclusiva ao O POVO, Daniel Gomes, presidente do Sindconfecções, afirma que o setor está "estarrecido" com o encarecimento. Estamos vivendo um momento tão difícil, com pós-pandemia, guerra no mundo, inflação generalizada. Tínhamos a esperança de que com melhores chuvas teríamos redução nos custos com energia, não estávamos preparados para um aumento dessa magnitude”, complementa. 

O aumento aprovado pela Aneel e adotado pela Enel é de, em média, 24,85% nas contas de luz, porém, com o fim da bandeira vermelha de nível dois, suspensa no dia 16 de abril, que implementava taxa extra de R$ 9,49 por cada 100 quilowatts consumido por hora, essa elevação será sentida em menor escala. Na prática, para cada consumidor, o aumento percebido deve ser de 5% a mais do valor pago nos últimos meses. 

Porém, como a energia é um insumo básico de produção, toda a cadeia econômica sofrerá com encarecimento que irá se acumular até chegar ao bolso do consumidor final. “Nos preocupa muito esse aumento, é um valor exorbitante, tão difícil de ser absorvido pelas empresas e de ser repassado ao consumidor. Estamos em meio à nossa luta para uma retomada, na luta para retomar todos os postos de trabalho perdidos, recuperar o faturamento, voltar a criar emprego”, pontua Daniel. 

O presidente do Sindconfecções pontua ainda que o setor têxtil, calçadista e de vestuário do Ceará não irá aceitar passivamente o aumento e pontua que computa "recorrentes problemas com relação ao fornecimento de energia", o que aumenta a insatisfação com o encarecimento da conta de luz. 

“Isso atrapalha muito a indústria, muitos setores mal estão pagando suas contas, com certeza esse aumento, no atual cenário, irá inviabilizar muitos negócios. Com aumento de custos, o investimento se torna menor, então o consumidor, que já perdeu também seu poder de compra com inflação, vai se afastar ainda mais. Com menos compras e aumento das despesas, fica difícil manter os empregos”, complementa. 

Daniel acrescenta ainda que o setor está acompanhando as movimentações dos demais sindicatos e associações empresariais e que não medirá esforços para "sensibilizar os órgãos públicos e entidades competentes para essa situação". O sindicato não descarta a judicialização da questão e afirma que na próxima semana enviará uma nota de repúdio ao amento na conta de luz para Assembleia Legislativa do Ceará.
O povo
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