Santa Quitéria: de cada dez pessoas que procuram ajuda contra dependência química, apenas dois conseguem se recuperar

Comunidade Terapêutica Saber Viver

O desenvolvimento de políticas públicas no tratamento de dependentes químicos no Brasil cresceu muito nos últimos anos. Geralmente, pessoas que sofrem com problemas de drogas ou alcoolismo precisam de um tratamento específico. Além disso, os pacientes são acompanhados e passam por atividades que ajudarão a entender o seu problema, para poder resolvê-lo. 

A reabilitação é vista como uma forma de reconstrução, além de incentivar o sujeito a se socializar e conversar com outras pessoas que sofrem do mesmo problema. Porém, existem muitos casos, onde o indivíduo, infelizmente, não consegue superar esse desafio. Em Santa Quitéria, segundo o coordenador municipal de políticas sobre drogas, João Paulo "Koki", de dez pessoas que procuram ajuda, duas conseguem entrar em recuperação. Infelizmente, o motivo da recaída, na grande maioria dos casos, é a volta a rotina, ao convívio.

Além disso, no município os homens lideram a procura por atendimento em relação a dependência química, de 50 casos, 48 são do sexo masculino. Dessa forma, a faixa etária que mais procuram ajuda em Santa Quitéria, são dos 18 à 40 anos. Idosos acima dos 60 anos não são atendidos, por causa do trabalho mais delicado.

A proprietária da Comunidade Terapêutica Saber Viver, quiteriense Jayane Paiva, falou um pouco sobre como o acompanhamento pode contribuir para a vida das pacientes. “O modelo aproveita ao máximo a contribuição e o valor da ajuda entre pares. A ideia é que a partir dai aprendam um novo estilo de vida, livre das drogas. O tratamento é fundamentado no conceito de dependência química como um fenômeno bio-psico-socio-espiritual, ancora-se numa dinâmica essencialmente grupal no qual os acolhidos compartilham entre si suas histórias e dificuldades, aprendendo a identificar suas emoções, valores e atitudes antes distorcidos pela droga”, declara ela.

O tratamento na comunidade dura de 6 meses a 1 ano e conta com o Plano Terapêutico (modelo Minnesota). Esse modelo é mais conhecido como “programa de 12 passos”, utilizado nas irmandades anônimas e adaptado com sucesso para outros grupos de ajuda mútua.

Iatagan Gomes, ex-paciente da comunidade e que trabalha atualmente no local, relata como foi passar pela a reabilitação. “Eu passei por um processo na comunidade com a ajuda dos profissionais, processo de desintoxicação, conscientização e realização. desse tratamento fui sendo reintegrado de volta aos padrões normais que as pessoas tem”, contou.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 6% da população brasileira atual tem algum tipo de dependência química, totalizando 12,4 milhões de pessoas.
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