Ex-morador de rua passa na OAB: “Realizei meu sonho”


Imagem cedida ao Metrópoles


O ex-morador de rua do Distrito Federal Wallison dos Reis Pereira da Silva, 35 anos, passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e conquistou a tão sonhada carteirinha de advogado.

O sonho do jovem de se tornar um profissional da área de advocacia, se concretizou neste mês de maio de 2022. Segundo Wallison, ele foi criado pelos avós no interior de Minas Gerais (MG) e passou por muitas dificuldades para chegar até onde está.

Aos 17 anos, ele veio para Brasília tentar um futuro melhor e precisou dividir a rotina de estudos entre a escola da rede pública, em Samambaia, e as madrugadas mal dormidas na Rodoviária do Plano Piloto.

“Eu vivia de esmolas na Rodoviária. Certa vez, um professor disse que eu estava fedendo e pediu para eu me retirar da sala de aula. Muitos não sabiam das minhas dificuldades nem que eu morava na rua e passava por necessidades. Após concluir o Educação de Jovens e Adultos (EJA), fiz o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Fui bem na redação, e isso me garantiu o financiamento de 100% no valor da mensalidade em uma faculdade particular”, explicou.

O jovem começou a cursar direito, em 2013, e deixou as ruas. “Nessa época, eu alugava um quartinho de fundo para dormir. Fazia bicos na rua, entregava panfletos e pagava a minha moradia. Em 2019, consegui me formar em direito”, orgulha-se.

Após colar grau em 2020, ele se dedicou para passar no exame da OAB. Nesse processo, Wallison teve o nome envolvido em um processo na Justiça e conseguiu comprovar a inocência. O inquérito foi arquivado. “Fui aprovado no exame em 12 de janeiro deste ano. Pedi a minha inscrição junto à OAB e, agora, eu sou advogado. Recebi a minha carteira na última quinta-feira”, comemora.

“A partir de agora, quero ajudar muitas pessoas que, assim como eu, tiveram seus direitos violados na Rodoviária. É horrível voltar ali e lembrar do passado triste que eu tive. Realizei o meu sonho e pretendo me tornar um promotor de Justiça, um defensor público”, finalizou.

Metrópoles
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