83% dos quiterienses não se sentem seguros com a exploração da Mina de Itataia; entenda o principal motivo

Foto: Aurélio Alves/O POVO

A Voz de Santa Quitéria
realizou uma pesquisa sobre o conhecimento dos quiteriense sobre a Mina de Itataia. A pesquisa revelou que mesmo sendo um assunto debatido há quase 50 anos, 77,11% da população não conhece como funcionará o processo de extração do urânio e do fosfato da mina. A pesquisa foi realizada de forma presencial, através de entrevista com 100 pessoas da sede do município, entre os dias 4 e 6 de junho.


A pesquisa mostrou que 83,29% dos quiterienses não se sentem seguros com a abertura de Itataia. Entre eles, 63,83% afirmaram não se sentirem seguros com a exploração, enquanto 14,46% têm dúvidas sobre a segurança. Em contrapartida, 21,69% afirmaram se sentir seguros com o projeto.

Parte da insegurança das pessoas se deve a emissão de radiação pelos resíduos que serão extraídos da mina, sobretudo o urânio. Essa extração pode causar sérios danos no meio ambiente e na saúde das pessoas, como destacou Pedro Andreas Costa, representante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), durante a audiência pública do IBAMA em Santa Quitéria.

O ativista destacou os danos causados pela mineração no estado da Bahia, como os constantes vazamentos das barragens de rejeitos e o aumento de casos de câncer no entorno da mina. “Em Caetité, na Bahia, a INB minera desde os anos 2000 e o que tem lá é um rastro de câncer na população, é um rastro de contaminação no solo, é um rastro de contaminação das águas”, afirmou Costa.

Nos arredores de Itataia, vivem diversos povoados, entre eles, comunidades tradicionais e assentamentos da reforma agrária, que tiram da agricultura seu principal meio de sustento. Com uma possível emissão de radiação causada pelos resíduos tóxicos da jazida, essas comunidades seriam as primeiras afetadas.

“Nós não temos mais nenhuma dúvida de que as comunidades camponesas que estão ao redor da mina, que elas podem sim ser atingidas por um banho radioativo. Que essas pessoas podem sim adoecer de câncer”, afirmou Erivan Silva, representante do MAM de Crateús.

Questionada sobre a segurança das pessoas durante a exploração, Alessandra Barreto, representante do Consórcio Santa Quitéria, em entrevista ao A Voz de Santa Quitéria afirmou que “o projeto é seguro, não traz nenhum risco nem para a população, nem para o meio ambiente no seu entorno”. A representante ainda confirmou que “monitoramentos também serão feitos (...) de forma a garantir que não vai haver nenhuma alteração do ponto de vista da saúde e da conservação do meio ambiente”.

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