IBAMA encerra audiências públicas sobre Mina de Itataia; Canindé diverge opiniões sobre o empreendimento

Fotos: Thiago Rodrigues/AVSQ

O ciclo de audiências públicas que discute o Projeto Santa Quitéria, promovido pelo IBAMA, encerrou-se na noite de ontem (09) na cidade de Canindé, após cinco horas e meia de duração. Nos dois dias anteriores, foram os moradores de Santa Quitéria e Itatira (Lagoa do Mato) que tiveram a oportunidade para fazer questionamentos e manifestar seus posicionamentos favoráveis ou contrários a exploração de urânio e fosfato em Itataia.

Canindé é inserido dentro do PSQ por estar entre os dois municípios, como área de influência, rota do escoamento do minério pela BR-020 e pela perspectiva de ser um polo regional para atender serviços e outras demandas ligadas ao empreendimento.

O auditório do Jardineira Park recebeu empresários, líderes políticos, representantes de entidades, imprensa e os grupos contrários a exploração, que novamente se manifestaram com faixas, cartazes e intervenções. Durante a audiência, foi possível perceber que os canindeenses, embora não estejam num raio de tanta proximidade, ainda divergem suas opiniões.


Ilomar Vasconcelos, vice-prefeito, destacou que a Prefeitura está acompanhando todo o processo e apoiando para que "traga desenvolvimento sem causar prejuízos humano e ambiental". A fala é corroborada pela presidente da Câmara, Karlinda Coelho, que declarou apoio assim como outros vereadores, pontuando os investimentos mas ao mesmo tempo receios que a população tem em relação a radiação.

Para Alessandra Barreto, representante do Consórcio Santa Quitéria, o saldo das três audiências foi extremamente positivo, como uma oportunidade de diálogo aberto e escuta pra trazer esclarecimentos. "Isso faz com que a gente possa numa fase seguinte do licenciamento, detalhar nossos programas e atender aos anseios e as preocupações dos que se posicionaram contra", ressaltou. A próxima fase será a análise do documento pelo IBAMA e posteriormente, espera-se a concessão da licença prévia e de construção.


O deputado estadual Renato Roseno (PSOL), que acompanha o licenciamento desde 2015, classificou como "projeto de morte" e criticou o apoio dado pelo Governo do Estado. "São muitos absurdos: injustiça hídrica, devastação ambiental, contaminação por rejeitos, intoxicação e contaminação por exposição à radiação até a possibilidade de acidentes nucleares", alerta.
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