Maioria da população de Santa Quitéria é contrária ao uso das águas do Serrote na exploração da Mina de Itataia

Fotos: Paulo Henrique Feijão

Desde que foi indicada a possibilidade do início da exploração da Mina de Itataia, um dos assuntos mais debatidos entre a população de Santa Quitéria é o uso da água do açude Edson Queiroz (Serrote) na adutora para abastecimento da mina. O tema é um dos principais pontos de divergência de opiniões.

A pesquisa realizada pelo A Voz de Santa Quitéria mostrou que 85,54% da população de Santa Quitéria é contrária ao uso das águas do açude do Serrote para abastecimento da adutora da Mina de Itataia. A pesquisa ouviu 100 pessoas da sede do município, entre os dias 4 e 6 de junho.

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Entre os quiterienses contrários ao uso da água na mineração, 78,31% dos entrevistados foi totalmente contra ao uso da água para esse propósito, enquanto 7,23% ficaram em dúvida. Já 14,46% afirmaram ser a favor da utilização das águas do açude.

No EIA/RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) protocolado pela INB e Galvani, consta que serão utilizados 855 m³/hora na fase de operação. A adutora, que será construída pelo Governo do Estado, terá extensão de 64 km e capacidade para fornecer 1.036 m³/hora de água, abastecendo também o distrito de Riacho das Pedras e os assentamentos Morrinhos e Queimadas.


Um dos temores da população é que o uso das águas do Serrote na mineração diminua extremamente o volume do açude que abastece a cidade. A região sofre constantemente com a falta de chuvas, o que dificultaria o reabastecimento do açude, causando falta de água para o consumo humano. Atualmente, o reservatório tem 48,54% da sua capacidade - tendo aumentado neste inverno apenas 3,53%. Em fevereiro de 2017, atingiu o seu volume, chegando a 9,84%, conforme dados do Portal Hidrológico do Ceará.

Esse ponto contrário à mineração foi destacado pelo presidente do Comitê da Bacia do Acaraú, José Maria Gomes Vasconcelos, durante a audiência do Projeto de Santa Quitéria. “Serão 855 m³ d’água por hora, quase 1 milhão de litros de água por hora. Esse estudo levou em consideração a quadra chuvosa e a situação de semiárido em que vivemos? Nós tivemos recentemente, praticamente, sete anos de seca e a comunidade de Santa Quitéria sentiu isso na pele. (...) É preciso que a gente analise isso com bastante cautela”, falou.

Emerson de Almeida, professor de física da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), afirmou que o documento expedido pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH) sobre o uso da água na mineração “é falho porque não leva em conta a mudança climática”. “A gente já sabe que o relatório da COGERH não leva em conta a mudança climática. O nordeste brasileiro está ficando mais seco e a quantidade de água que estabelece lá vai ser de fato menor”, disse.

Foto: Divulgação/COGERH

A contaminação do solo e das águas do Serrote são outros pontos que deixam a população temerosa. Os restos de resíduos ficarão acumulados em lagoas localizadas em uma região com “fortes possibilidades, em um cenário de mudanças climáticas e de eventos extremos, de carreamento de sedimentos, de fortes vasões sobre esse relevo, sobre a estrutura de pilha de fosfogesso e fortes possibilidades de extravasamento dessas lagoas de capitação”, pontuou Rafael Melo, pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Os possíveis danos ambientais causados pela exploração da Mina de Itataia podem impactar diretamente a vida de toda a população quiteriense.
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