'Me batia e gravava', diz ex-namorada de advogado acusado de matar empresária

Foto: Arquivo pessoal

A ex-namorada do advogado Aldemir Pessoa, acusado de matar a empresária Jamile de Oliveira, afirma que ele a batia e gravava as agressões para mostrar aos familiares dela. Em entrevista à TV Verdes Mares na manhã desta segunda-feira (20), a mulher falou sobre o que viveu com o advogado.

"Ele chegou a me acordar várias vezes durante a madrugada, me batia e gravava. Inclusive, chegou ao ponto de pegar uma dessas gravações e mostrar aos meus familiares", disse a ex-namorada de Aldemir.
A vítima, que também é advogada, se relacionou com Aldemir após a morte da empresária. Ela denunciou as agressões no início do mês, em um boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher.

"No começo, ele era muito educado, muito cavalheiro, galanteador. Eu acabei me envolvendo com ele e de repente ele começou a modificar o comportamento, se tornando ciumento ao extremo, implicando com roupa, implicando se eu atendesse cliente do sexo masculino. Situação que antes, logo no começo, não existia", relembrou a vítima.

"Eu fiquei em uma situação me sentindo envergonhada, primeiro porque eu sou advogada e eu sentia vergonha do que estava acontecendo. Não me sentia encorajada de denunciar. Ele criou situações onde eu não me sentia a vontade de relatar o que estava acontecendo comigo para os meus familiares. Eu apanhei, eu fui agredida, levei toda sorte de agressão física, emocional, psicológica. Infelizmente a sociedade, só o fato de você nascer mulher, você já é culpada", falou a advogada.
Ainda segundo a mulher, as agressões de Aldemir também se estenderam a familiares dela.


"Ele começou a desferir agressões contra familiares meus. Então de forma indireta ele nunca parou de me agredir.

Segundo as investigações, ele teria dado tapas na atual companheira durante uma discussão. Conforme testemunhas, o homem teria, inclusive, tentando matar a mulher espancada, mas foi impedido por policiais. A TV Verdes Mares procurou a defesa de Aldemir Pessoa, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Mãe da vítima percebeu mudanças

A mãe da atual namorada de Aldemir foi quem percebeu um comportamento estranho na filha, quando notou que ela passou a usar maquiagem de maneira mais pesada, mais intensa.

A advogada pediu uma medida protetiva em favor dela e da própria mãe — que também sofria ameaças de Aldemir Pessoa, de acordo com informações policiais.

Morte de Jamile

A empresária morreu em 31 de agosto de 2019 após sofrer um tiro e ser levada ao Instituto Dr. José Frota (IJF). Ela faleceu um dia após dar entrada no hospital por complicações do ferimento por arma de fogo. O caso era tratado como suicídio até a Polícia Civil começar a investigação e levantar a tese de homicídio. A defesa de Aldemir argumentou que houve suicídio.

Em agosto de 2020, a Procuradoria-Geral de Justiça decidiu que o advogado deveria ser acusado pelo crime de feminicídio e os demais correlatos. Até aquele momento, havia tido entendimentos distintos entre membros do Ministério Público do Ceará (MPCE) e, por isso, a definição foi tomada pelo procurador-geral.

O MP considerou que houve feminicídio com o agravante de ter sido realizado na presença do filho da empresária. Com relação à lesão corporal, o órgão argumenta que Aldemir agrediu Jamile antes de tê-la matado. Além disso, ele teria tentado atrapalhar a investigação, o que rendeu a denúncia por fraude processual.

De acordo com o órgão ministerial, o advogado portou armas de fogo dentro e fora de casa, ainda tendo guardado os armamentos na casa de outra pessoa.

G1 CE
Postagem Anterior Próxima Postagem