Ratanabá: entenda a teoria infundada da cidade perdida na Amazônia

Ratanabá: teoria da conspiração sobre a cidade perdida na Amazônia viralizou nas redes sociais - Foto: Daiki Pesquisas/Reprodução

Nos últimos dias, o termo Ratanabá tem sido progressivamente abordado nas redes sociais. O nome é atribuído a uma teoria infundada de uma cidade com mais de 450 milhões de anos, perdida no meio da Amazônia Brasileira. O boato foi divulgado pelo site Dakila Pesquisas, instituição sem qualquer vinculação com universidades ou órgãos de pesquisas oficiais. O instituto ainda defende ideais como a terra plana e se posiciona contra as vacinas.

De acordo com o Google Trends, ferramenta que mostra termos buscados em um passado recente, a Ratanabá apresentou um salto de pesquisas entre os dias 5 e 11 de junho. O termo ainda se tornou assunto frequente no TikTok e Twitter.

No dia primeiro de junho, o site do Daiki Pesquisas publicou uma matéria noticiando que pesquisadores supostamente teriam sobrevoado a cidade. Segundo o Instituto, duas aeronaves foram utilizadas para captar imagens da floresta. Entre a tripulação, estava a bordo Urandir Fernandes de Oliveira, CEO do Dakila Pesquisas.

Segundo publicação da empresa, datada do dia 3 de junho, a "cidade perdida" teria por volta de 450 milhões de anos e seria fundada pelos Muril, primeiro povo a habitar a Terra há cerca de 600 milhões de anos. A ciência, no entanto, aponta como inviável a existência de um local com essas características.

Segundo o Worldometer, referência na divulgação de contagens e estatísticas em tempo real, a existência humana tem cerca de 300 mil anos. Os primeiros povos a habitarem o globo teriam sido os Homo sapiens, originados no continente africano. Além disso, é estimado que os dinossauros teriam sido extintos por volta de 65 milhões de anos atrás.

Conforme apontado pela revista Fórum, o Dakila Pesquisas, que divulgou a teoria, não possui vinculação com institutos de pesquisas de universidades ou órgãos oficiais, bem como não possui registros de artigos em publicações científicas.

Além disso, os pesquisadores da organização não tem dados registrados na plataforma Lattes, sistema de currículos virtual gerenciado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O site ainda é apontado como defensor de ideias como da Terra plana, ser contra vacinas, além de alegar não haver registros de queimadas na Amazônia.

Por que Ratanabá, a cidade perdida na Amazônia, se tornou viral?
Apesar da recente repercussão na internet, o instituto Daiki divulga a teoria da cidade submersa há mais de 10 anos. Segundo seus pesquisadores, Ratanabá é de grande interesse de ONGs e empresários estrangeiros, sendo cobiçada, inclusive, por Elon Musk. É provável que o assunto tenha sido intensificado pelo desaparecimento de Dom Phillips e de Bruno Pereira.

O jornalista britânico e o indigenista brasileiro desapareceram no último domingo, 5, enquanto faziam uma viagem pelo Vale do Javari, segunda maior terra indígena do país, com 8,5 milhões de hectares, no extremo oeste do Amazonas.

Outro fator que pode ter influenciado a ascensão das pesquisas pelo termo foi a recente visita de Elon Musk ao Brasil. No último dia 20 de maio, o bilionário se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro, além de outros políticos e empresários.

O objetivo da visita foi para negociar a instalação do Starlink, projeto que objetiva oferecer internet banda larga via satélite em todo o mundo, na Amazônia. Nas redes sociais, o influenciador Felipe Neto se pronunciou sobre a repercussão da teoria.

"Que possam existir registros de civilizações antigas, ok. Mas daí a criarem teoria da conspiração de que Elon Musk, ONGs e bilionários pelo mundo querem explorar a cidade de 450 milhões de anos submersa na Amazônia…Isso é coisa de gente com parafuso a menos", escreveu, em seu perfil no Twitter.
O Povo Online
Postagem Anterior Próxima Postagem