Manifesto pela democracia: Bolsonaro diz que 'não precisa de cartinha'

Jair Bolsonaro (PL) critica manifesto em defesa da democracia - Foto: Divulgação

O  presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (27), que não precisa de “nenhuma cartinha” para falar que “defende a democracia” nem de sinalização de apoio de “quem quer que seja” para mostrar que o caminho é “democracia, liberdade e respeito à Constituição”.

A declaração ocorre um dia após ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, acadêmicos, empresários e entidades da sociedade civil assinarem um  manifesto em favor da democracia em reação aos seguidos ataques ao sistema eleitoral que Bolsonaro tem feito.

"Vivemos num país democrático, defendemos a democracia, não precisamos de nenhuma cartinha para falar que defendemos a democracia, que queremos cada vez mais, nós, cumprir e respeitar a Constituição. Não precisamos então de apoio ou sinalização de quem quer que seja para mostrar que o nosso caminho é a democracia, é a liberdade é o respeito à Constituição".

Bolsonaro participou da convenção nacional do Progressistas, partido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e do presidente da Câmara, Arthur Lira. A legenda compõe a base do governo e oficializou o apoio à reeleição do presidente. Bolsonaro chegou ao auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Com cerca de 100 mil assinaturas, o manifesto em favor da democracia é apresentado pelos organizadores como reação aos reiterados ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral e às instituições, embora não mencione diretamente o nome do presidente. O documento será lido no Largo de São Francisco, no dia 11 de agosto, em um ato em defesa da democracia brasileira.

Há um outro manifesto em defesa da democracia articulado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, e um grupo de grandes investidores, empresários e advogados que deve ser divulgado até sexta-feira. Gomes consultou na noite de segunda-feira um colegiado de dezenas de diretores da Fiesp, majoritariamente favoráveis à publicação do documento.

O documento terá de instituições representativas de diversos segmentos da indústria nacional e também de entidades da sociedade civil. A ideia do texto, segundo um dirigente da entidade, é mostrar que quaisquer ataques às instituições e ao Estado de Direito não têm respaldo das grandes empresas brasileiras.

O texto já tem o apoio da Fiesp, da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), além da Comissão Arns. Segundo empresários familiarizados com o assunto, o texto está em análise, também, por entidades como o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP).

O ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, presidente licenciado do PP, afirmou na Convenção que caso eleito, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que fazer concessões para construir a base do governo, prevendo que cerca de 370 deputados aliados a Bolsonaro seriam eleitos neste ano.

Ciro ressaltou que Bolsonaro não angariou apoio na política “toma lá da cá” e que blindou estatais e ministérios. Ao longo do governo, no entanto, Bolsonaro se aproximou de partidos do Centrão que já apoiaram governos petistas, como o próprio Progressista. O Centrão também teve nomes indicados para ministérios e para estatais.

"Nós vamos ter um congresso de mais de 370 deputados aliados ao presidente Bolsonaro. Olha as concessões que haverá de fazer para construir a sua base. O senhor construiu a sua base não através toma lá da cá. O senhor blindou as estatais, blindou os ministérios, não tem mais aquela história de porteira fechado e o país não quer mais retroceder a essa época".
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