Policial é afastado após se negar a registrar ocorrência de mulher e tentar prendê-la por desacato

Foto: Reprodução/TV Globo

Um policial civil foi afastado da delegacia após se negar a atender presencialmente uma mulher e ainda tentar prendê-la.

Uma professora foi à 42ª DP (Recreio), na Zona Oeste do Rio, tentar registrar o extravio de documentos. O policial se negou a fazer o registro e disse que ela deveria fazer de forma on-line.

Ela reclamou, ele não gostou e tentou dar voz de prisão à professora.

A defesa do policial nega a versão e diz que ele foi xingado ao tentar orientá-la sobre o procedimento.

Nas imagens gravadas por um advogado, o policial civil identificado como Rafael aparece tentando algemar a mulher.

A mulher reclamou do comportamento do policial e disse que faria uma queixa na Corregedoria contra Rafael.

Nesse momento, o agente resolveu prender a professora por desacato, mas foi impedido por uma outra policial.

A mulher registrou queixa de agressão contra o agente e conseguiu fazer o registro de ocorrência de extravio de documentos na delegacia.

Ela também fez exame de corpo de delito, que constatou hematomas no braço, no momento da tentativa de prisão.

O policial Rafael foi afastado do trabalho na delegacia do Recreio. Uma sindicância e um inquérito foram abertos para apurar abuso de autoridade e lesão corporal por parte do agente.

A Corregedoria da Polícia Civil já foi comunicada e também investiga o caso.

“Um absurdo, não é o que nós pregamos, não é o que nós orientamos. Então, isso aí tem que ser muito bem apurado, muito bem ouvido, mas em princípio tudo que apareceu nas imagens, o que foi dito, já foi formalizado pra que agora nós adotemos as medidas que têm que ser adotadas”, diz o delegado Luiz Maurício Armond.

O delegado explica que o registro de ocorrência pode ser feito pela internet, mas que é um direito do cidadão fazer presencialmente.

“A questão do registro on-line é uma comodidade que se dá à sociedade caso ela não queira se deslocar por questão de tempo ou de saúde, ela possa tomar as medidas iniciais pela internet, e depois, caso for necessário, venha ou mande um representante à delegacia trazendo provas ou declarações pra que possa ser finalizado. É a vontade da população que tem que ser atendida”.

O que diz a defesa do policial

A defesa do policial diz que a gravação foi feita pela família da professora e que esta queria registrar o extravio de passaporte. O advogado Flávio Fernandes disse que o policial, então, a orientou a fazer o registro no site da Polícia Federal (PF), que, segundo ele, seria o canal correto para o procedimento.

Ainda segundo a defesa, o policial teria acessado o site da PF e mostrado como baixar o formulário usado em caso de extravio.

A professora teria, então, ficado alterada e passado a xingar o policial, que deu voz de prisão à mulher.

G1
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